Virar pais e continuar sendo um casal: 10 dicas para a gravidez e depois dela
Os últimos tempos só de vocês são muito especiais e vocês podem usá-los de forma consciente pra focar na relação. Aproveitem pra simplesmente deixar rolar e fazer o que faz bem – seja passear, conversar, cozinhar, viajar num babymoon ou ficar na cama.
Com as nossas dicas, trazemos inspirações pra essa fase e pro que vem depois, pra fortalecer o relacionamento de vocês nessa mudança de vida tão emocionante.
1. Conversem bastante como casal
Conversar bastante não é a primeira coisa que vem à cabeça quando a gente se torna pai ou mãe. Você quer dar o máximo de atenção pra essa pessoinha – e tudo bem. Só que muitas vezes a atenção pro seu amor e a conversa entre vocês ficam em segundo plano.
Por isso, a dica mais importante que eu tenho para futuros pais é: conversem bastante – desde antes de o bebê nascer. Vocês vão precisar de uma boa cultura de conversa, porque a comunicação desanda rápido sob estresse.
2. Converse do jeito certo com seu amor
Não importa só a frequência, mas também o jeito de conversar. Não é à toa que se diz que é o tom que faz a música. A gente esquece isso com frequência, principalmente quando já está no meio de uma discussão acalorada. Por isso, vale praticar todos os dias uma boa forma de conversar nos momentos tranquilos – e principalmente antes do parto.
Tente falar a partir do “eu” em vez de usar frases acusatórias com “você”. Assim você descreve o que sente, em vez de apontar algo que a outra pessoa fez de errado. Por exemplo, em vez de dizer “Você vive me dando bronca! Você nunca reconhece nada!”, use uma mensagem em primeira pessoa: “Sinto que eu sou só um peso pra você.” Permita-se ficar vulnerável e responda com proximidade quando a outra pessoa se mostrar vulnerável. Tente escutar em vez de reagir na hora.
3. Criem um clima de conversa em que todos os sentimentos são permitidos
Um dos elementos mais importantes de uma boa comunicação é conseguir dizer com clareza e abertura o que a gente sente. Mas a outra pessoa só se arrisca a fazer isso se sentir que é “permitido” e possível sem ser atacada na hora. Como seres humanos, a gente tem a tendência natural de já pensar na própria opinião e na própria reação enquanto a outra pessoa ainda está falando, sem antes escutar de forma aberta e neutra. Isso não só faz a outra pessoa sentir que não é aceita nem ouvida, como também impede que a gente entenda de verdade quem está com a gente – a partir do ponto de vista e do mundo interior dela, que pode ser bem diferente do nosso. É uma via de mão dupla: só quando a gente reconhece os sentimentos e as reações dos dois lados é que consegue entender e reagir com calma e de forma produtiva.
Tentem criar um clima de conversa amoroso e acolhedor. Isso significa não reagir direto com soluções ou defesas, mas primeiro escutar de verdade, dar espaço e tentar entender a outra pessoa – a partir do ponto de vista e do mundo interior dela, que pode ser bem diferente do nosso. É uma via de mão dupla: só quando a gente reconhece os sentimentos e as reações dos dois lados é que consegue entender e reagir com calma e de forma produtiva.
4. Reconhecer os medos da gravidez e ter coragem de falar sobre eles
É totalmente normal que a gravidez traga muitas inseguranças e medos: medo da enorme mudança de vida que vem com um filho, das mudanças no corpo, do parto, de perder a própria autonomia e assim por diante. Às vezes também aparecem questões pessoais da família de origem, por exemplo quando os próprios pais tiveram comportamentos que a gente não quer repetir.
O que eu vejo com frequência no meu consultório é que futuros pais guardam os medos pra si e sentem vergonha deles, por exemplo porque “deveriam estar felizes”. A pressão social às vezes pesa muito. É uma pena, porque isso impede que o casal cresça ao encarar esses medos e, no pior dos casos, pode levar a um bloqueio na comunicação e à perda de contato entre vocês.
Pra evitar isso, é importante reconhecer as situações que dão medo e colocá-las em palavras. É bem provável que seu amor tenha medos parecidos e, ao compartilhar as preocupações, vocês descobrem o que têm em comum e dão um passo a mais pra encontrar uma solução em conjunto. Usem os medos como uma oportunidade de trocar sentimentos e se apoiar. Em conjunto, vocês são mais fortes!
5. Planejar o relacionamento depois do parto
Quando o bebê chegar, a vida e o relacionamento de vocês vão virar de cabeça pra baixo. Muitas questões em que vocês não pensavam antes, porque eram óbvias ou irrelevantes, agora podem gerar conflitos. Não é à toa que muitos estudos mostram uma queda na satisfação com o relacionamento ao longo do tempo depois do parto. Segundo um estudo da Landesbausparkasse, os casais se divorciam com mais frequência 3 a 4 anos depois do nascimento do primeiro filho. Sim, ter um filho é uma mudança de vida enorme, mas também é uma aventura nova, emocionante e linda pra vocês.
Por isso, é ainda mais importante se preparar bem pra mudança e conversar abertamente sobre os temas que vão ganhar importância antes de vocês se verem em conflito. Por menos romântico que pareça, planejem o relacionamento depois do parto. Reservem tempo e conversem conscientemente sobre esses temas de conflito, mesmo que prefiram focar só nos lados bonitos e positivos da vida em família. Um pouco de pragmatismo antes do parto evita muita dor de cabeça depois.
Alguns temas importantes para essas conversas podem ser:
- Que valores queremos passar pro nosso filho? O que é importante pra nós na criação?
- Como a gente se reencontra se perder o contato?
- Como vai ser a divisão das tarefas depois do parto? Como podemos criar a sensação de uma divisão justa?
6. Estar presente na vida de cada um
Muitas vezes não é fácil mostrar os sentimentos mais profundos pra outra pessoa. Nem sempre dá pra saber se ela vai responder com compreensão ou discordar. Principalmente durante e depois da gravidez, acontece tanta coisa nova que às vezes os sentimentos transbordam. Nesse processo, é fácil esquecer de quem está com a gente – principalmente logo depois do parto.
Por isso, é ainda mais importante entrar em sintonia com seu amor e sentir as emoções dessa pessoa. Desenvolva uma percepção de como seu amor está e pergunte mais vezes do que parece necessário: “Amor, como você está agora? O que eu posso fazer por você?” Principalmente como futuros pais, que logo vão precisar formar um bom time e passar por situações-limite em conjunto, esses momentos de apoio mútuo podem ser uma experiência muito valiosa. Eles ajudam vocês a construir mais compreensão entre vocês e a virar um time imbatível.
7. Não deixem ninguém enlouquecer vocês na gravidez
Em fases de mudanças tão grandes, muitos casais chegam a um ponto em que faz bem buscar ajuda e conselhos de fora. Isso é certo e importante. Algumas opções são, por exemplo, a parteira, um centro de aconselhamento ou um psicoterapeuta. Também existem ótimos podcasts (como The Peaceful Birth e Best Father's Joys) e às vezes um curso de preparação para o parto também ajuda a diminuir os medos.
Mas, apesar de toda a ajuda e dos bons conselhos, não deixem que isso enlouqueça vocês! Cada pessoa vai ter uma opinião baseada nas próprias experiências e vocês vão receber muitas dicas e ideias bem-intencionadas. No fim, ninguém sabe melhor do que vocês o que é melhor pra vocês como casal e pro seu filho. Escutem a intuição e não se estressem com expectativas irreais de querer que tudo seja perfeito.
8. Manter as borboletas no estômago
Os efeitos da gravidez na vida sexual podem variar muito: por um lado, a região pélvica da mulher recebe mais sangue, o que pode aumentar a sensibilidade e o desejo; por outro, é claro que sempre aparecem desconfortos nas diferentes fases da gravidez que podem diminuir a libido.
Principalmente no primeiro trimestre, muitas mulheres sofrem com enjoo, mudanças de humor e falta de energia – e a vontade de transar costuma ser baixa.
No segundo trimestre, os hormônios se estabilizam mais, o pior do enjoo matinal normalmente já passou e a mulher tem mais energia de novo – o que, claro, também faz bem pra libido.
Em algum momento – por volta da 28ª semana – fica mais difícil só por causa da barriga e é preciso pensar um pouco nas posições se vocês ainda quiserem transar.
Meu conselho pra vocês é trabalhar conscientemente pra não se perderem como casal e manter as borboletas no estômago. Se precisar, experimentem coisas novas, como um sexo carinhoso na posição de conchinha. Pra maioria dos casais, ela continua funcionando bem. E esse carinho pode ser lindo de um jeito totalmente novo.
9. Conversem sobre fantasias e preferências sexuais
É importante que vocês conversem sobre fantasias e preferências na vida sexual nessa fase tão emocionante, porque mal-entendidos surgem fácil. Por exemplo, muitos homens ficam receosos de transar com a companheira grávida por medo de machucar o bebê de algum jeito. Mas o bebê está muito bem protegido e amortecido dentro do útero.
Algumas mulheres podem se sentir travadas porque não se acham bonitas ou atraentes com o corpo diferente e os quilinhos a mais. Outras, ao contrário, exibem a barriga com orgulho e se sentem especialmente bonitas e sensuais nessa fase.
Como mulher, você pode contar como se sente em relação ao seu corpo em transformação e que tipo de apoio gostaria de receber de quem está com você.
Como homem, você pode dar força pra sua companheira e dizer o quanto a acha linda.
10. Experimentem o que faz bem
De modo geral, eu incentivo vocês a experimentarem o que faz bem em cada fase da gravidez. Abram espaço pra viver coisas novas e ampliar o repertório sexual de vocês em conjunto.
Se tiverem alguma dúvida, conversem sobre o assunto com o obstetra ou ginecologista – em alguns casos, é preciso mesmo ter cuidado, por exemplo quando há risco de parto prematuro.